EDUCAÇÃO  Escolas ampliam atuação de escritores

 01.06.2014

Focando em filão do comércio de publicações, editoras apostam em público infanto-juvenil

Fugindo da seara de publicações voltadas aos leitores adultos, as editoras brasileiras têm encontrados nas escolas o principal filão de a ser explorado. A venda de livros paradidáticos, voltados a crianças e adolescentes, tem aquecido o mercado editorial e já se tornou uma opção viável para escritores. A maior parte da venda não acontece direta ao consumidor. O crescimento do comércio está ligado diretamente à aquisição de livros pelas instâncias municipal, estadual e federal, em políticas regulares nos últimos dez anos, segundo levantamento da Câmara Brasileira do Livros (CBL).

Aproveitando a abertura da janela para a comercialização de livros, escritores e editoras cearenses apostam em títulos voltados ao público infanto-juvenil. Um exemplo dessa prática é o Programa Alfabetização na Idade Certa (PAIC), da Secretaria de Educação (Seduc), que desde 2007 auxilia os governos municipais cearenses ao incluir na lista de compra publicações para alunos do 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental.

“Em 1999, eram poucos os autores que escreviam livros infantis”, diz Almir Mota, escritor, coordenador da Feira do Livro Infantil de Fortaleza e fundador da editora Casa da Prosa.

Apesar de trabalhar com a venda de livros em livrarias e através da internet, Almir reconhece nas escolas os principais compradores das publicações de sua autoria.

O mercado de trabalho dos escritores locais não fica restrito apenas às editoras cearenses. A demanda crescente de título do estilo faz com que empresas de outros estados vislumbrem nos autores da terra potenciais contratos, distribuindo seus trabalhos em diversas escolas de cidades brasileiras.

Com cerca de 20 livros publicados, todos eles voltados ao público infanto-juvenil, Almir tem buscado ampliar o escopo de venda de livros para outros estados brasileiros e até mesmo para outros países.

“Nos próximos meses começará a ser distribuído um livro de minha autoria em toda a rede municipal do Rio de Janeiro. Estou em negociação para que o mesmo aconteça no México e na Argentina”, diz o escritor. “O autor tem que ganhar o mundo começando do local e indo em direção ao universal”, afirma Almir Mota.

Outro nome que tem apostado nesse mercado é Jorge Pieiro, que deu um tempo na produção de textos fantásticos para escrever livros para crianças e adolescentes. “A rigor, não há diferença no processo de escrita de um livro adulto ou infantil. Na minha cabeça, não existem essas divisões. Uma ideia pode ser desenvolvida para qualquer tipo de público”, ressalta o escritor, que possui três títulos voltados para crianças.

Jorge ainda destaca o desafio no tocante à temática, avaliando como positiva a abordagem de assuntos que fogem do politicamente correto. “Por que o livro para um jovem precisa ter uma moral? Será que não posso denunciar, destruir determinado conceito ou falar um palavrão?”, provoca.

Quem também segue a tendência do mercado é o cordelista Paiva Neves, com seis livros publicados por editoras. Seus trabalhos adaptam à métrica do cordel os contos clássicos da literatura infantil, como “Patinho Feio” e “Soldadinho de Chumbo”. Assim como o trabalho de outros escritores, os livros de Paiva são distribuídos por editoras nacionais em outras cidades, como São Paulo e Brasília.

Crescimento

O trabalho realizado pela escritora Fabiana Guimarães dá uma ideia de como a demanda por livros produzidos por cearenses tem crescido na última década. Trabalhando com a produção de livros adultos de 1998, a escritora produziu, somente entre 2008 e 2014, 25 títulos voltados ao público infantojuvenil.

“Esse tipo de publicação tem um público específico e um mercado bastante aberto. Um bom livro infantil pode ser lido tanto por uma criança como por um adulto”, afirma a escritora.

A mudança de público de seus livros se deve a dificuldades da escritora de atingir o mercado de obras gerais. “Ficava triste quando um livro não saía bem. O professor quer alunos, o médico quer pacientes. Já eu quero leitores”, fala.

Editoras

Segundo Lucinda Marques Azevedo, presidente da Câmara Cearense do Livro (CCL), das 22 editoras associadas à instituição, 17 trabalham com a impressão de livros infantojuvenis.

Dentre essas, pelo menos seis possuem mais de 40 títulos voltados às crianças e adolescentes. Mas o número poderia ser bem maior, de acordo com a presidente da CCL. “Os governos compram poucos livros das editoras cearenses, focando nos livros que vêm de outros estados”, critica Lucinda Marques.

“O pior é que isso acontece pelo puro desconhecimento do que é produzido aqui. Se as três esferas de poder focassem nos livros cearenses, o crescimento seria gigante”, estima.

Ainda segundo Lucinda, não há levantamentos que apontem a quantidade ou ranking de vendas dos livros cearenses. “O mercado editorial ainda está se articulando para que isso aconteça”, aponta Lucinda.

Leonardo Bezerra 

Fonte: Diário do Nordeste

Repórter

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s