Debruçar-se sobre as questões do Livro e Leitura, desde as questões sociais e econômicas, até as polêmicas em torno da Lei do Fomento do Livro e da Leitura. Eis a proposta do III Fórum da Rede Nordeste do Livro e da Leitura

          Lançar provocações, buscar respostas, trocar experiências, reclamar, sugerir. Elementos típicos de um Fórum, mas nem tão simples de serem digeridos por todos os participantes quando se busca um discurso mais homogêneo para fortalecer um setor. A cadeia do livro e da leitura no nordeste, decidiu articular-se e abrir as discussões, a fim de unir forças para encontrar soluções que mantenham o mercado livreiro e editorial, desenvolvido, vivo e atuante, percebido como essencial para o desenvolvimento regional. 

          Daí surgiu o I Fórum da Rede Nordeste do Livro e da Leitura que aconteceu no Ceará em 2008, dentro das Programações da 8ª Bienal Internacional do Livro do Ceará. A 2ª edição do evento foi realizada na 9ª Bienal da Bahia em 2009.

          Nos dias 10 e 11 de abril, durante a 9ª Bienal Internacional do Livro do Ceará, acontecerá o III Fórum da Rede Nordeste do Livro e da Leitura. Os principais objetivos desse encontro são: fortalecer a política editorial e livreira no Nordeste, organizar politicamente as categorias nos Estados e discutir o Fundo Pró-Leitura e a Lei do Fomento do Livro e da Leitura, além de avaliar os fóruns anteriores.

          Entre os debatedores: José  Castilho Neto – Secretário Executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura, Galeno Amorim – Diretor do Observatório do Livro, Fabiano dos Santos – Diretor do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, Maria Helena Signorelli – Coordenadora Geral de Livro e Leitura MinC, Antonio Miranda – Presidente da Biblioteca Nacional de Brasília e Coordenador da Bienal Internacional de Poesia, Felipe Lindoso – Consultor do Instituto Pró-Livro,  Rosely Boschini – Presidente da Câmara Brasileira do Livro, Dep. Marcelo Almeida – Presidente da Frente Parlamentar Mista da Leitura no Congresso Nacional e o deputado Chico Lopes – Membro da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados

         Segundo Mileide Flores, da comissão organizadora do evento, “Nestes dois últimos anos em que a Rede Nordeste do Livro e da Leitura tem articulado discussões em torno da situação dos que compõem a cadeia do Livro e da Leitura na região e, levando como base a organização do setor e a inexistência de uma política com foco regional”, justifica. Ela acrescenta alguns resultados já obtidos a partir dos Fóruns: a compra regionalizada de livros por parte da Fundação Biblioteca Nacional, tema levantado já no primeiro fórum; a reserva de espaços gratuitos para exposição dos livros das editoras pequenas e médias e autores independentes, que é uma realidade nesta bienal; a percepção da necessidade de uma política diferenciada para as pequenas livrarias independentes é hoje ponto de discussão no Ministério da Cultura.

        Os realizadores acreditam que este segmento é essencial para o desenvolvimento econômico da região, como instrumento integrante da diversidade cultural do país e das políticas nas áreas da educação, da cultura e do negócio.

        O III Fórum da Rede Nordeste do Livro e da Leitura é uma realização conjunta da Representação Nordeste do Ministério da Cultura, SINDILIVROS, Fórum de Literatura e da Leitura do Estado do Ceará e Secretaria da Cultura do Ceará. 

Serviço:

 III Fórum da Rede Nordeste do Livro e da Leitura

10 e 11 de abril de 2010

Centro de Convenções – Av. Washington Soares, 1141

Mais informações:

forumdeliteratura.ce@gmail.com

Comissão Organizadora

Tarciana Portela – Chefa do Ministério da Cultura Regional Nordeste

Mileide Flores – Sindlivros

Luiza Helena Amorim- Fórum de Literatura e Leitura do Estado do Ceará

 

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Um comentário em “Nordeste reunido em torno do livro e da leitura

  1. LEI DO LIVRO: CADÊ O LEITOR?

    Podemos afirmar com uma grande margem de acerto que a indústria editorial no Brasil (e na Bahia) vai muito bem, obrigado. E não é para menos. Afinal, no ano de 2003, foi promulgada a Lei 10.573, a charmosa Lei do Livro, que acabou com os impostos relativos à produção do livro no país a fim de baratear o seu custo e de criar um Fundo de Incentivo à Leitura através de 1% do faturamento das editoras. Claro que a idéia, aparentemente, é ótima, pois o menor preço do livro acarretaria um maior acesso ao mesmo com um conseqüente número bem maior de consumidores.

    Tudo muito belo. Mas na prática tal não acontece. Nem o preço do livro baixou, nem o acesso ao livro aumentou, nem as editoras contribuem para o tal Fundo de Incentivo à Leitura. E o que acontece mesmo? Bem, o mercado do livro no Brasil fatura anualmente cerca de três bilhões de dólares, mas só o Ministério da Educação compra algo em torno de 70% do que é vendido, quase tudo livro didático (e para-didático), quase nada de literatura e nada, nada mesmo de poesia. E se for literatura e poesia negra e/ou indígena aí o bicho pega, nadíssimo de nada.

    Resultado: milhares de livros são distribuídos nas escolas, mas pouquíssimos alunos sabem ler ou interpretar o que leram. O que poderia mudar essa realidade, a presença da literatura e da poesia em sala de aula, não existe. Nem contadores de histórias, nem cordelistas, rappers, emboladores, fazem parte da cabeça dos professores, do conteúdo das jornadas pedagógicas, do currículo das escolas. Ano após ano nada se discute para por em prática a formação de leitores através mesmo de uma simples leitura em sala de aula como atividade obrigatória em todas as disciplinas.

    Apesar de que a cada dia serem descobertas novas experiências de sucesso com o uso da leitura e releitura em sala de aula no tocante à diminuição da repetência e da evasão em matérias como matemática e química onde a leitura é sempre vista como algo obrigatório, difícil, chato e distante.

    Por tudo isso, no Brasil, nenhum escritor consegue viver do seu trabalho, quase sempre obrigado a buscar a sobrevivência em outras atividades como tradução, palestras, oficinas, cursos, etc. A Lei do Livro foi aprovada, mas as editoras nada fazem para apoiar bibliotecas e programas de leitura quando nada com a doação de títulos que possibilitem a atualização de acervos e a dinamização do espaço para além de um mero depósito de livros velhos, mas como autêntica usina de apoio à criação de múltiplos saberes, fazeres e leituras do mundo.

    E muito menos as editoras trabalham em contrapartida aos benefícios da Lei, no sentido de fazer com que os escritores e poetas possam pelo menos sonhar em viver do que fazem. Nem no de capacitar professores para que possam levar a literatura e a poesia para a sala e aula como prática principal para a formação de novos leitores com capacidade de pensar criticamente o conteúdo dos livros. Claro que isso é perigoso para a manutenção do estabelecido. No mínimo os editores devem ficar com medo de que a literatura e a poesia venham atrapalhar as polpudas vendas dos valiosos e insípidos “didáticos” e de alguns “para-didáticos”.

    Se é burrice ou má fé ainda não se pode afirmar, mas afinal, para que serve a Lei do Livro? Para estimular a compreensão da leitura ou a usura dos editores? Onde anda o Fundo de Incentivo à Leitura, no fundo do poço da ganância ou na inoperância da Lei? O que sei é que 95,5% dos alunos na quinta série do ensino fundamental não consegue compreender um pouco do que leu. No ensino médio, 67% dos alunos não compreende os textos do seu nível se escolaridade. E 57% dos alunos em onze anos de aprendizado não consegue compreender nada do que lê ao sair das escolas. No nível superior não é muito diferente, pouquíssimos entendem o que lêem.

    Podemos concluir então que talvez seja oportuno criarmos uma Lei da Leitura (mais uma) já que até agora a do livro beneficiou apenas a ganância e a usura das editoras. Ou, em contraponto às bienais e feiras DO LIVRO, que privilegiam o produto livro, o mercado, as editoras e as livrarias, e muito pouco a leitura, a fomação de leitores, os autores nacionais e locais, criarmos (governos e privados) FEIRAS E BIENAIS DE LEITURA, que, sem excluir o livro, o mercado, o lucro, priorizar a leitura, a formação de leitores em todas as suas possibilidades, haja vista que mais de 50 mlhões de analfabetos no país justificam todo tipo de esforço e investimento em programas e ações para levar os novos alfabetizados a exercitarem a leitura de modo que não voltem rapidamente à condição de analfabetos, como está visivelmente ocorrendo.

    Ora, produzir livros está provado que sabemos faze-lo e bem. E mal ou bem velhos e novos escritores e poetas quixotescamente (cadê a Lei do Livro?) garantem a sobrevivência da literatura e da poesia. Mas a formação de leitores ainda não passa pela cabeça da maioria das pessoas, principalmente os gestores da área. Quase todos acham que basta alfabetizar e comprar livros que todo mundo vai correr para as estantes e começar a leitura.

    Não percebem que formar leitores é um processo lento com início antes mesmo da fecundação (fase individual), durante o período embrionário (fase conjugal) e até por volta dos dez anos de idade (fase familiar). Em qualquer tempo é responsabilidade preponderante dos pais coadjuvados pelo estado (fase regional) na forma de professores, mestres, agentes de leitura, círculos de leitura, caravanas de leitura, caminhos de leitura a serem percorridos na fase nacional com fundos de leitura, leis de leitura, rodas e círculos de leitura nos lares, empresas, escolas, universidades, praças, estações de metrô, de transbordo, aeroportos, etc, e com livros (barateados, Lei do Livro neles, os editores!), bibliotecas vivas, escritores, contadores de histórias, arte-educadores, brincantes, facilitadores e mestres da leitura oral, escrita, visual, corporal, cênica e tecnológica em redes de rodas eletrônicas de leitura bandalargadas (fase internacional/cósmica).

    Que tal colocar (JÁ QUE É BEM MENOR O ANLFABETISMO CINEMATOGRÁFICO E MUSICAL) o mesmo volume (ou mais) de recursos que tem o audiovisual e a música para fomentar e financiar programas e ações de curto, médio e longo prazo em torno da leitura, da leitura literária, da leitura poética, da leitura oral, da leitura de jornal, de revistas, de quadrinhos, de literatura de cordel, principalmente na sala de aula. Então, pessoal, vamos ler, vamos ler, vamos ler!!! É legal.

    Geraldo Maia
    Poeta, escritor, leitor, editor, vendedor de livros, revisor, arte-educador, contador de histórias, consulto literário, gestor privado na área do livro leitura e literatura

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